No Dia da Consciência Negra, OCBPM enaltece o protagonismo afrodescendente nas Cidades Patrimônio Mundial
Inclusão, busca por liberdade, cultura e desenvolvimento das cidades são alguns dos legados em várias regiões do país
Exemplo de resistência, muitas são as contribuições da população negra na construção, desenvolvimento e cultura de várias regiões do Brasil. Em homenagem ao Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, celebrado nesta quinta-feira, 20 de novembro, a Organização das Cidades Brasileiras Patrimônio Mundial (OCBPM) destaca o protagonismo em sítios reconhecidos pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco). A luta por liberdade e igualdade marcou a história, por meio de manifestações fundamentais que mostram o desejo de uma sociedade inclusiva.
Mais da metade da população se autodeclara negra no Brasil, sendo o segundo no mundo, atrás apenas da Nigéria. As principais cidades históricas do Brasil com notável protagonismo negro estão concentradas em regiões que receberam um grande número de africanos escravizados, como a Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Alagoas e Maranhão. Nesses locais, a população não apenas sustentou a economia colonial, mas também resistiu, formou comunidades e deixou marcas indeléveis na cultura e na história do país
As influências estão em todas as partes do país e podem ser conferidas em igrejas, museus, quilombos, centros culturais e espaços ligados à memória e valorização da cultura negra. Salvador, na Bahia, é considerada a cidade com a maior população negra fora da África, um epicentro da cultura afro-brasileira. O protagonismo negro é evidente em sua música (blocos afro como Ilê Aiyê e Olodum), culinária, religião (candomblé) e na preservação de tradições africanas.
Considerado Patrimônio Cultural da Humanidade, o Pelourinho guarda vestígios da época em que a cidade foi a 1ª capital da colônia. O Largo e suas redondezas abriga um grande número de casarões e igrejas dos séculos 17 e 18. Entre elas, a igreja mais conhecida de Salvador, a Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, de arquitetura barroca.
Rio de Janeiro
O Rio de Janeiro foi o principal porto de entrada de africanos escravizados nas Américas, especialmente na área do Cais do Valongo, hoje reconhecido como Patrimônio da Humanidade e um local de memória negra. A população negra teve papel crucial na formação urbana da cidade e na luta abolicionista, com figuras como André Rebouças e Luís Gama. A região da “Pequena África”, incluindo o bairro da Gamboa e a Pedra do Sal, é um local de forte herança cultural. Em dezembro, a cidade recebe o 12º Encontro Brasileiro das Cidades Históricas, Turísticas e Patrimônio Mundial, que está com inscrições abertas gratuitamente. Saiba mais sobre o importante evento aqui.
Minas Gerais
A extração de ouro na região foi baseada na mão de obra escravizada. A população negra foi fundamental na construção das igrejas e monumentos barrocos. Muitos escravizados e libertos formaram irmandades religiosas, como a de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, que se tornaram importantes espaços de organização social e resistência. As manifestações e personagens icônicos foram fundamentais para o desenvolvimento de Cidades Patrimônio Mundial como em Ouro Preto e Diamantina.
O Centro Histórico de Diamantina, onde está localizada a casa de Xica da Silva, importante liderança negra do Brasil colonial, é um dos destaques.
Alagoas
O Quilombo dos Palmares, em Alagoas, foi o símbolo maior da resistência negra no período colonial. Representou uma forma de organização social e política autônoma, desafiando o sistema escravista, e seu líder, Zumbi dos Palmares, tornou-se um ícone da luta pela liberdade. A sua luta motivou a celebração do Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra em 20 novembro, data da morte do mártir brasileiro.
Maranhão
O Estado do Maranhão, devido à grande influência africana, possui uma forte herança cultural, com destaque para o Tambor de Crioula e o Bumba Meu Boi, manifestações onde o protagonismo negro é central. O Sítio Histórico de Alcântara é outro local importante de memória negra na região. O Centro Histórico de São Luís, Patrimônio Cultural, é outro local marcado pela influência dessa população.
Todas as cidades do país demonstram como a história do Brasil é indissociável da contribuição e da luta da população negra, protagonista na formação social, econômica e cultural do país. A celebração da data chama a atenção da sociedade para o racismo, a desigualdade e para a contribuição da cultura africana na formação da sociedade brasileira.
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Foto: Agência Brasil