3 de dezembro de 2025

Mediado pelo presidente da OCBPM, painel reuniu palestrantes que apresentaram experiências exitosas nos Municípios

Mediado pelo presidente da OCBPM, painel reuniu palestrantes que apresentaram experiências exitosas nos Municípios

Mário Nascimento e representantes municipais mostraram como projetos contribuíram para o incremento de receitas e desenvolvimento de Cidades Patrimônio Mundial  

O painel Turismo Cultural e Cidades Patrimônio Mundial no Brasil abriu o primeiro dia de palestras do 12º Encontro Brasileiro das Cidades Históricas, Turísticas e Patrimônio Mundial no Docas André Rebouças, na cidade do Rio de Janeiro, durante a manhã desta quarta-feira, 3 de dezembro. Os debates foram mediados pelo presidente da Organização das Cidades Brasileiras Patrimônio Mundial (OCBPM), Mário Nascimento, e trouxeram diversas experiências que podem servir de modelo e implementadas em outras cidades pelo país. 

Antes de dar início às atividades, o presidente da OCBPM fez questão de enfatizar a relevância dos  debates ao longo do dia. “Essas palestras servem para as cidades Patrimônio Mundial e também para todas as Cidades Históricas e Turísticas do Brasil. As políticas e ferramentas que serão tratadas aqui são exemplos de boas práticas para qualquer cidade brasileira que tem o interesse de desenvolver o Turismo, a Cultura, o Patrimônio e levar o Brasil a outro patamar”, enfatizou Mário Nascimento.  

A primeira palestra dentro do painel foi ministrada pelo consultor da OCBPM, museólogo e diretor do Museu Nacional Soares dos Reis da cidade do Porto, em Portugal, António Ponte. Com base na experiência implementada em Portugal, o convidado falou sobre os Centros Interpretativos como espaços de Educação Patrimonial.  Nesse aspecto, defendeu a capacitação das comunidades e a conscientização da importância do Patrimônio Mundial Cultural ao destacar importantes conceitos para integralizar no processo de gestão e governança nas cidades com base no Patrimônio Cultural. 

O tempo, espaço, memória, criatividade, valorização, apropriação, o sentimento de pertencimento e o Patrimônio Cultural voltado para as pessoas no aspecto material, do afeto, conhecimento e a ligação com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) foram alguns dos pontos mencionados na palestra. “Já não é suficiente valorizar e conservar o Patrimônio. Se não encontrarmos formas de que as comunidades em geral e todos aqueles que nos visitam percebam o que e um Patrimônio Cultural, não vamos concluir a plenitude do nosso trabalho. É fundamental percebemos que o ato de salvaguardar e de restauração, só são eficazes quando nós temos uma política de Educação Patrimonial que acompanhe  atos de salvaguarda e de valorização”, defendeu o palestrante. 

Experiência em São Cristóvão 

O segundo tema do painel tratou dos Centros de Interpretação, Sinalização e Incentivo ao Turismo Qualificado. O ex-prefeito de São Cristóvão (SE) e diretor da OCBPM, Marcos Santana, fez uma abordagem sobre diversas ações da cidade para aumentar o tempo de permanência do turista com uma experiência diferenciada. O Município utilizou um espaço que funcionava a antiga prefeitura da cidade e, a partir daí, foram implementadas propostas que pudessem organizar memórias locais, acolher visitantes e alunos, bem como fazer do local um espaço de encontro e pertencimento. 

Para isso, foram utilizados recursos audiovisuais e interativos, atividades educativas com a comunidade e conexão com roteiros pela cidade. Alguns dos pontos, nesse aspecto, incluíram a padronização visual da cidade, integração Centro de Interpretação e a implementação de QR Codes com conteúdo digital para promover uma melhor experiência aos visitantes. “O trabalho que tem sido proposto é de reter o nosso visitante por mais tempo, considerando meios tecnológicos para quem visita a nossa cidade. A OCPBM além da elaboração do projeto do Centro de Interpretação e Memória, já executou na cidade a nova Sinalização Turística Qualificada”, disse.    

Turismo de herança africana

Na sequência, o Diretor de Turismo e Hospitalidade do Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos (IPN), Rafael Moraes, contou como foram desenvolvidas ações para promover o Turismo de Herança Africana como estratégia de preservação e sustentabilidade apresentando a experiência do Instituto Pretos Novos no Cais do Valongo e na Pequena África. “Fui convidado para entender essa localidade e experimentar o Turismo de uma outra maneira nessa região, que começa a crescer e chamar atenção e que nem as autoridades sabiam do que se tratavam”, disse ao falar de como os espaços de herança africana ganharam projeção com o trabalho do Instituto voltados à conscientização e promoção da resistência cultural.  

O palestrante ainda complementou com alguns dos resultados. “Tivemos por exemplo, no primeiro sábado de novembro, com 15 circuitos acontecendo. Empresas, escolas públicas, particulares e grupos abertos ao público. Todos andando por uma região até então apagados e fazendo a economia girar”, relatou.

Economia criativa 

Por sua vez, a diretora de Patrimônio Mundial e Cidade Criativa de Paraty (RJ) , Maria Eduardo Porto, apresentou o tema Gestão do Patrimônio Mundial e Economia Criativa: caso da Secretaria Especial de Paraty. A prefeitura trabalhou com a gestão compartilhada ao firmar parcerias com órgãos como o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) e representações locais, dentre elas, o Fórum das Comunidades Tradicionais, para construir um plano de gestão compartilhada do sítio. 

A proposta do Município integrou a preservação cultural e natural com o desenvolvimento da economia criativa, especialmente por meio da gastronomia e do artesanato e da sua divulgação em encontros na cidade. “Temos oito segmentos de economia criativa reconhecidos pela  Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) e Paraty ganhou o título como gastronomia que passa pelo artesanato, a agricultura familiar e os eventos”, argumentou a palestrante. 

Judicialização em Ouro Preto     

Um depoimento conduzido pelo chefe de gabinete da prefeitura de Ouro Preto (MG), Zaqueu Astoni, encerrou as apresentações do período da manhã. Ele contou a judicialização do Patrimônio que está ocorrendo na cidade mineira. Nesse contexto, explicou a divergência jurídica que pretende proibir a realização do carnaval no Centro Histórico do Município sob o argumento de risco ao Patrimônio Material edificado. “É uma evidente narrativa de colocar, sem evidência e de forma hierárquica, o Patrimônio Material face ao Patrimônio Imaterial. Isso coloca a administração refém do Poder Judiciário e uma ingerência do poder de decisão do Executivo municipal”, argumentou o palestrante ao pontuar as etapas da Ação Civil Pública. 

O prefeito da cidade complementou. “Nós temos sofrido esse constante assédio de promotores estaduais e federais. É uma insegurança jurídica muito grande”, desabafou Angelo Oswaldo. Ao assistir à apresentação, Mário Nascimento se prontificou a intensificar os debates sobre o assunto. “Esse é um tema que vamos ter que tratar nos próximos encontros e convidar alguns ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ), do Supremo Tribunal Federal (STF) e da Procuradoria – Geral da República porque nos traz mesmo muita insegurança jurídica”, concordou o presidente da OCBPM após a apresentação. 

O 12º Encontro Brasileiro das Cidades Históricas, Turísticas e Patrimônio Mundial segue até a próxima sexta-feira, 5 de dezembro. O evento é realizado pela OCBPM, Ministério do Turismo, prefeitura do Rio de Janeiro e pelo Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH). Conta ainda com a cooperação da Unesco e com o apoio institucional da Confederação Nacional de Municípios (CNM), do Iphan e da Fundação Palmares.

Assista às palestras ministradas nos painéis da manhã:

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