Gestão de geoparques, desenvolvimento urbano, Cidades Inteligentes e projetos culturais são destaques desta manhã em evento no Rio de Janeiro
Terceiro dia do Encontro Brasileiro das Cidades Históricas, Turísticas e Patrimônio Mundial reúne especialistas da Unesco, OCBPM, Agência de geoparques e da UFSM
O presidente da Organização das Cidades Brasileiras Patrimônio Mundial (OCBPM), Mário Nascimento, acompanhou os debates com especialistas ao longo da manhã desta quinta-feira, 4 de dezembro, da programação do 12º Encontro Brasileiro das Cidades Históricas, Turísticas e Patrimônio Mundial do Rio de Janeiro. Os palestrantes trouxeram abordagens em temas importantes para os Municípios, dentre eles, a gestão sustentável de geoparques, desenvolvimento urbano, Cidades Inteligentes e projetos culturais.
A primeira apresentação do dia contou com uma abordagem sobre os Geoparques como Patrimônios da Humanidade, contando a experiência do Município de Seridó, no Rio Grande do Norte, na preservação e inovação territorial. A boa prática foi explicada pela representante da Agência de Desenvolvimento Sustentável do Território Geoparque da cidade, Josi Gomes. Ela destacou como foram pensadas algumas ações sustentáveis nas visitas aos espaços, dentre elas, a atuação dos guardiões do Seridó e a construção de uma pousada no Geoparque Mundial reconhecido como Patrimônio pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) no Parque do Seridó, inclusive com o aproveitamento de uma rocha com figura rupestre como parte da estrutura utilizada para receber o turista.
Sobre o tema, ela ainda agradeceu a atenção da OCBPM na questão dos Geoparques. “Estamos com o território cada vez mais estruturado. Recebemos de forma muito feliz que os geoparques serão tratados diretamente pela Organização das Cidades Brasileiras Patrimônio Mundial (OCBPM)”, enfatizou ao se dirigir ao presidente Mário Nascimento. Em resposta, ele sinalizou positivamente à fala da palestrante. “Na última Assembleia Geral da OCBPM, incluímos os Geoparques da Unesco dentro da entidade. Vamos trabalhar de forma integrada com a Unesco e com os geoparques do Brasil. A riqueza é espetacular. Estamos à disposição”, respondeu Mário Nascimento.
Patrimônio Mundial e Desenvolvimento Urbano
Na sequência, a Coordenadora do Setor de Cultura e Representação da Unesco no Brasil, Isabel de Paula, ministrou uma palestra para abordar as Cidades do Patrimônio Mundial e o Desenvolvimento Urbano. Ela mencionou alguns dados da Unesco com recorte sobre o crescimento da população urbana e a importância de se ter mais Cidades Resilientes e Sustentáveis conforme preconiza a Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU) e os seus Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
“Essas cidades têm que estar preparadas para o enfrentamento de eventos e às mudanças diversas. A gente destaca que a Cultura é um recurso único para a regeneração urbana e desenvolvimento econômico e ambiental e, por outro lado, o quanto a cultura é vulnerável às mudanças climáticas e aos desastres”, disse ao também mencionar um trabalho feito pela Unesco em que mostra as dificuldades das cidades detentoras de Sítios Património Mundial, principalmente as costeiras facilmente impactadas pelas mudanças climáticas.
Nesse aspecto, a palestrante explicou como foi o trabalho da Unesco no Rio Grande Sul no ano em que fortes chuvas castigaram o Estado. “Publicamos um guia prático para emergências culturais, enchentes e alagamentos. O documento reúne estratégias e boas práticas para preservar bens culturais em cenários extremos, oferecendo um modelo que é replicável a outras regiões vulneráveis do país e do exterior. Também recomendo para orientação um outro documento da Unesco publicado em setembro chamado de Cultura e Ação Climática”, sugeriu.
Moderador do painel, Sérgio Cordiolli reforçou a importância da apresentação da Unesco. “Esse tema é absolutamente contemporâneo. Não é só a Cultura integrada às políticas municipais, mas a Cultura conectada com as Mudanças Climáticas que estão presentes, com toda questão da proteção, da preservação, da gestão de riscos e dos cuidados que devemos ter”, considerou.
Cidades Inteligentes
O tema Inovação em Turismo: experiências, criatividade e Cidades Inteligentes fez parte de uma das apresentações da OCBPM no evento. A executiva da entidade e empresária, Daniela Bitencourt, premiada internacionalmente pela Organização Mundial do Turismo em inovação pelo turismo, trouxe exemplos de como a tecnologia pode ser aliada na gestão das Cidades Patrimônio Mundial de forma sustentável, econômica e que possa gerar inteligência e conhecimento.
Nesse aspecto, apresentou formas de alinhamento das Cidades Inteligentes com o Turismo Cultural e Sustentável por meio da otimização de recursos e gestão mais eficiente. Um dos projetos nesse sentido tem sido trabalhado pela OCBPM na Sinalização Turística Inteligente e Inclusiva. A iniciativa permite ao turista escanear, por meio de um QR Code nas placas de sinalização dos principais sítios de Cidades Patrimônio Mundial, informações adicionais em texto, áudio e libras sobre o local visitado.
“Quando a gente vê esse tipo de sinalização mais inclusiva, o projeto acaba sendo extremamente inovador porque ele é atualizado em tempo real e foi feito nas cidades que ostentam esse título tão maravilhoso de Patrimônio Mundial. O projeto traz tecnologia com conteúdo dinâmico e inclusivo com texto e audiodescrição”, detalhou a palestrante.
Além da experiência inovadora para o turista, o projeto permite acesso ao gestor a dados mapeados. “Esse QR Code também nos dá informação de quais são os monumentos mais visitados, os que despertam mais interesse, onde são as cidades melhores ranqueadas em termos de visitação e interesse. Além de prestar informações, estamos gerando dados para que a gente possa ajudar nas políticas que serão fomentadas para o nosso desenvolvimento”, reforçou a representante da OCBPM ao também apresentar experiências inovadoras alidadas à tecnologia em Centros de Interpretação.
Inteligência urbana
Seguindo a programação, a professora da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e museóloga, Doris Couto, contou como coordenou e orientou as ações de salvamento de acervos nas inundações no Estado do Rio Grande do Sul com o apoio da Unesco. Ela também enfatizou na palestra a Inteligência Urbana e o Turismo como Ativo Estratégico. “As Cidades Patrimônio Mundial têm o diferencial competitivo mais potente do universo: a autenticidade.
A museóloga mostrou ainda os motivos para se inovar no Turismo Patrimonial. “É importante porque garante a sobrevivência e a sustentabilidade desse patrimônio e as pessoas cada vez mais se voltam para o singular e para o autêntico. É a experiência da economia local, é a experiência de novos sabores com o mesmo ingrediente, do artesanato local que precisa manter a originalidade daquele lugar”, contextualizou.
Projetos Culturais
A importância da realização de projetos culturais – criação e produção foi o tema da apresentação da jornalista, cineasta e Executiva da OCBPM, Ligia Walper, que apontou alternativas para buscar recursos com essa finalidade. “Os shows, espetáculos e exibições são ferramentas importantíssimas para atrair visitantes e podem ter um custo quase zero para os Municípios. Para isso, devem ser utilizados os mecanismos de leis de incentivo à cultura (estaduais, municipais e federais), que preveem descontos em impostos devidos pelos patrocinadores quando aplicados em eventos culturais devidamente cadastrados nos sistemas de cada esfera governamental”, destacou.
Nesse aspecto, ela deu como um dos exemplos a boa prática implementada em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul, com a criação do Espetáculo Som e Luz, que impulsionou a promoção do Sítio Arqueológico de São Miguel Arcanjo e estimulou o engajamento da população. “As escolas de todo o Estado passaram a incluir no seu currículo escolar uma visita às Missões para assistir ao espetáculo, até que em 1997, um prefeito visionário, que hoje é presidente da OCPBM, decidiu trazer um grande espetáculo para São Miguel das Missões com um show do tenor José Carreras, acompanhado da orquestra sinfônica de Porto Alegre e mais um coral de 40 vozes. O resultado: um público de 20 mil pessoas e um especial para a Rede Globo. Nunca mais São Miguel das Missões foi a mesma”, disse ao mencionar Mário Nascimento, então gestor da cidade gaúcha.
O 12º Encontro Brasileiro das Cidades Históricas, Turísticas e Patrimônio Mundial segue até a próxima sexta-feira, 5 de dezembro. O evento é realizado pela OCBPM, Ministério do Turismo, prefeitura do Rio de Janeiro e pelo Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH). Conta ainda com a cooperação da Unesco e com o apoio institucional da Confederação Nacional de Municípios (CNM), do Iphan e da Fundação Palmares.
Confira a Galeria de Fotos:
Assista aqui às palestras ministradas do terceiro dia de evento.