Equipe da OCBPM acompanha debates do Fórum do Sistema Nacional de Patrimônio Cultural
Evento realizado em Brasília discutiu o Plano Nacional Setorial de Patrimônio Cultural , instrumento de planeamento estratégico que pretende organizar e orientar as políticas públicas de preservação, valorização e gestão do patrimônio cultural
A Organização das Cidades Brasileiras Patrimônio Mundial (OCBPM) acompanhou nesta semana debates em vários painéis dentro da programação do 1º Fórum do Sistema Nacional de Patrimônio Cultura. O evento com autoridades e especialistas de todo o país, realizado em Brasília, teve como objetivo principal discutir, elaborar e deliberar o Plano Nacional Setorial de Patrimônio Cultural (PNPC). Autoridades e especialistas contribuíram com sugestões nos painéis do encontro.
A equipe da OCBPM marcou presença em debates que abordaram a preservação de acervos, métodos e salvaguarda e acervos de ex-presidentes do Brasil durante as palestras sobre arquivos de referência do patrimônio brasileiro, oportunidades e ameaças. Outra importante abordagem no evento tratou do Turismo de Base Comunitária e Patrimônio: Boas práticas de valorização dos bens culturais, populações, territórios e identidade.
Governança
Na palestra sobre governança para ação climáticas, os participantes destacaram os impactos das mudanças climáticas que representam um desafio crescente para a preservação de bens culturais e naturais. Especialistas ressaltaram que eventos extremos, alterações ambientais e processos de degradação podem comprometer sítios históricos, paisagens culturais e patrimônios naturais, exigindo novas estratégias de gestão que integrem preservação, planejamento territorial e sustentabilidade.
Também foi enfatizada a importância de uma governança colaborativa, envolvendo diferentes níveis de governo, instituições técnicas, comunidades locais e organismos internacionais. A articulação entre políticas de Cultura, Meio Ambiente e Turismo foi apontada como fundamental para fortalecer a resiliência dos territórios, garantir a proteção do patrimônio e promover seu uso sustentável como ativo cultural, social e econômico para as próximas gerações.
Base comunitária
Uma outra palestra enfatizou o Turismo de base comunitária. Nesse aspecto, foi apresentado o caso do Cais do Valongo como um exemplo significativo de valorização da memória, da Cultura e da participação das comunidades locais na atividade turística. O local, reconhecido como patrimônio mundial pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), foi destacado como um espaço de grande relevância histórica por representar um dos principais pontos de chegada de africanos escravizados nas Américas. A experiência mostrou como o turismo pode contribuir para dar visibilidade a essa história, promovendo educação patrimonial e fortalecendo a identidade cultural.
A apresentação também mostrou que o turismo de base comunitária permite que moradores e grupos culturais atuem diretamente na condução das experiências turísticas, como visitas guiadas, roteiros culturais e atividades educativas. No caso do Cais do Valongo, iniciativas conduzidas por representantes do movimento negro e por moradores da região têm contribuído para ampliar o reconhecimento do sítio e gerar oportunidades econômicas vinculadas à preservação da memória e da cultura afro-brasileira. A palestra destacou ainda que esse modelo fortalece o protagonismo comunitário e amplia o papel do turismo como instrumento de inclusão social e valorização do patrimônio.
Monitoramento
Por sua vez, no painel “Estratégias de monitoramento de políticas, ações e bens culturais: diálogo entre diferentes experiências”, os palestrantes destacaram a importância do acompanhamento sistemático das políticas públicas de patrimônio cultural como instrumento fundamental para garantir a efetividade das ações de preservação. Os especialistas apresentaram metodologias e experiências de monitoramento que permitem avaliar resultados, identificar desafios e aprimorar a gestão do patrimônio, considerando indicadores, participação social e integração entre diferentes níveis de governo.
Também foi ressaltado que o monitoramento contínuo contribui para tornar as políticas culturais mais transparentes e eficientes, permitindo ajustes nas estratégias adotadas e fortalecendo a proteção dos bens culturais.