Com o apoio da OCBPM, implantação do Centro de Interpretação de Olinda (PE) avança em ciclo de reuniões
Encontros com técnicos, Iphan, representantes culturais e a comunidade foram preponderantes para o alinhamento de ações projeto
Projeto encabeçado pela Organização das Cidades Brasileiras Patrimônio Mundial (OCBPM), a implementação do Centro de Interpretação da cidade de Olinda, em Pernambuco, tem avançado significativamente. Visitas e reuniões técnicas da equipe da prefeitura com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e representantes culturais, da comunidade e de empresas responsáveis pelo levantamento e mapeamento digital das edificações foram algumas das ações mais recentes neste mês.
Na reunião com a comunidade, a equipe da prefeitura apresentou a proposta de implantação do Centro de Interpretação do Centro Histórico de Olinda, a ser instalado no casarão Hermann Lundgren, atual sede da Nação Pernambuco, localizado no bairro do Carmo. O encontro contou com a presença da equipe técnica responsável pelo projeto e de diversos moradores, artistas, pesquisadores, gestores culturais e representantes de manifestações culturais.
A proposta apresentada busca requalificar o imóvel histórico e transformá-lo em um equipamento cultural capaz de interpretar e comunicar a história, a cultura e a identidade do Centro Histórico de Olinda, funcionando como ponto de referência informativo e educativo para moradores e visitantes. Durante a apresentação técnica, foram expostos os conceitos que orientam o projeto, destacando que o Centro de Interpretação não terá caráter de museu tradicional ou memorial, mas funcionará como um espaço de síntese e introdução aos temas relacionados ao patrimônio material e imaterial da cidade.
Interatividade
A proposta prevê a utilização de recursos tecnológicos e narrativas interativas para apresentar conteúdos organizados em macro eixos temáticos, como história da cidade, povos originários, povos escravizados e colonizadores, arquitetura e urbanismo, além de arte, cultura e identidade. O equipamento também pretende atuar como articulador da rede cultural existente no Centro Histórico, incentivando o visitante a conhecer outros espaços culturais da cidade. No campo arquitetônico e funcional, foi apresentada a proposta de setorização do complexo, incluindo áreas expositivas, auditório, núcleo de pesquisa, restaurante-café, espaços educativos, oficinas de artesanato e gastronomia, além de uma arena multiuso coberta destinada a apresentações culturais e atividades públicas integradas à dinâmica urbana de Olinda.
Contribuições
No momento de escuta da comunidade, diversos participantes manifestaram contribuições, questionamentos e preocupações acerca da proposta. Entre os principais temas debatidos estiveram o modelo de gestão futura do equipamento, a sustentabilidade financeira, a preservação e valorização das manifestações culturais locais e a integração do projeto com a realidade social e cultural do território.
Também foram levantadas reflexões sobre a situação atual de diversos equipamentos culturais da cidade, muitos deles apontados como degradados ou subutilizados, o que gerou questionamentos sobre a capacidade de gestão e de manutenção do novo espaço.
Representantes da comunidade ressaltaram a importância de garantir participação local na construção da curadoria, bem como de assegurar que o equipamento não se torne apenas um espaço voltado ao turismo, mas também um lugar de pertencimento, formação e produção cultural para os moradores da cidade.
Como principais reivindicações e colocações registradas ao final da reunião, destacam-se a garantia de participação ativa de artistas, pesquisadores e agentes culturais locais na construção dos conteúdos e da curadoria do Centro de Interpretação, bem como a preocupação com o modelo de gestão e manutenção do equipamento, com sugestões de gestão compartilhada ou parcerias institucionais.
A necessidade de assegurar espaço e protagonismo para manifestações culturais tradicionais, especialmente o Maracatu Nação Pernambuco, atualmente sediado no casarão; a importância de integrar o projeto às comunidades e aos agentes culturais do entorno; além da demanda por maior transparência, planejamento e cuidado na preservação do patrimônio cultural de Olinda também foram outros pontos destacados no encontro.
Outros debates
O ciclo de ações contou com um encontro com o grupo Maracatu Nação Pernambuco, que ocupa o casarão há cerca de 11 anos. A reunião foi fundamental para compreender as principais demandas, desafios e expectativas do grupo em relação ao espaço e ao projeto. Uma nova reunião, desta vez com o Iphan, teve como foco a apresentação e o alinhamento do projeto do Centro de Interpretação. Já com a Secretaria de Patrimônio, Cultura e Turismo de Olinda, foram apresentadas a setorização do projeto, além de promover uma escuta qualificada dos profissionais envolvidos com a preservação e gestão do patrimônio local.
Por sua vez, a reunião com a equipe parceira CADGraffic’s foi o ponto de partida do processo de levantamento digital e mapeamento das edificações do terreno onde será implantado o Centro de Interpretação. A atividade contou com o acompanhamento de arquiteta da equipe do Ágora Arquitetos, responsável pelo projeto de restauro do casarão.
Projeto da OCBPM
Os Centros de Interpretação são espaços dedicados a acolher visitantes em sítios culturais protegidos pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), com o objetivo de educá-los e conscientizá-los sobre a importância e o valor histórico desses locais. Por meio de projetos arquitetônicos, multimídias e exposições interativas, eles buscam criar uma conexão mais profunda entre o público e o patrimônio, utilizando novas abordagens turístico-culturais.
Eles surgem como um novo modelo na gestão dos bens patrimoniais e como um meio para que o visitante e a comunidade interajam com o patrimônio. O espaço conta com oficinas e exposições e geram conhecimento e informação, com inclusão e interatividade. “A iniciativa da OCBPM prevê a elaboração dos projetos para 16 centros de Interpretação nos Patrimônios Culturais e no Patrimônio Misto brasileiro”, reforça o presidente Mário Nascimento.