8 de julho de 2026

Em audiência na Câmara, especialistas alertam para impacto das mudanças climáticas no patrimônio

Em audiência na Câmara, especialistas alertam para impacto das mudanças climáticas no patrimônio

OCBPM tem reforçado sobre a necessidade de aprofundar os debates em diversas oportunidades

Especialistas que participaram de audiência pública na Comissão de Cultura da Câmara na terça-feira, 7 de julho, alertaram para a importância da relação entre preservação do patrimônio cultural e mudanças climáticas. Esse tema tem sido um dos pontos defendidos pelo presidente da Organização das Cidades Brasileiras Patrimônio Mundial (OCBPM), que recentemente levantou a discussão em sua apresentação durante a Assembleia Geral Ordinária da entidade realizada em junho.   

O presidente da OCBPM considerou que a gestão de riscos não deve ser vista como despesa burocrática, mas como investimento estratégico para proteger a economia local. Na audiência pública na Câmara, os debatedores ressaltaram a importância da criação da Carta Brasileira do Patrimônio Cultural e Mudanças Climáticas. O documento destaca que o patrimônio não é apenas um bem a ser protegido, mas uma fonte dinâmica de conhecimento e de tecnologia social para formular soluções contemporâneas baseadas no território.

O deputado Tarcísio Motta (PSOL-RJ), que solicitou a realização do debate, reforçou que eventos climáticos extremos colocam em risco não apenas o patrimônio material e sítios arqueológicos, mas também a existência de acervos de saberes e conhecimentos essenciais para a forma de viver de comunidades locais.

Segundo ele, cabe à Comissão de Cultura entender que as sociedades vulneráveis são as que mais sofrem com as mudanças do clima e pensar em mecanismos de prevenção e mitigação. “O colapso ecológico planetário é uma realidade. Estamos diante de mudanças climáticas cada vez mais intensas, cada vez mais frequentes e nada indica que o cenário melhora nos próximos anos ou nas próximas décadas. Temos urgência em encarar esse desafio, mas não podemos ignorar o fato de que o processo da questão do colapso ecológico já é uma realidade entre nós, no Brasil e no planeta Terra”, afirmou o parlamentar.

Por sua vez, o presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Deyvesson Gusmão, explica que, além da atuação internacional junto a instâncias que discutem patrimônio material, imaterial e arqueológico, o Brasil, através do Iphan, busca medidas internas de preservação desse patrimônio.

“A gente conseguiu inserir e discutir, junto com a Defesa Civil, a inclusão do patrimônio cultural no Plano Nacional de Proteção e Defesa Civil. A gente tem ações de preservação, de mitigação e de adaptação, mas também ações formativas, de capacitação e orientação previstas no Plano”, explicou.

Representante do Ministério do Meio Ambiente, Inamara Melo, destacou que a integração de um conjunto grande de políticas é absolutamente necessário. “Não dá para desenhar nenhuma política pública que não leve em conta este contexto da emergência climática que já enfrentamos no país. Já temos basicamente 84,5% dos municípios brasileiros afetados por desastres climáticos na última década, com muitos danos e prejuízos à sociedade brasileira”, salientou.

Todos os participantes destacaram a necessidade não apenas de financiamento formal de ações de preservação ambiental, mas também de adaptações para garantir a mitigação dos efeitos climáticos e a sustentabilidade.

Foto Prefeitura de São Cristóvão (SE)

Com informações da Agência Câmara de Notícias

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