31 de julho de 2026

Chapada do Araripe percorre caminho para ser reconhecida como título do Patrimônio Mundial

Chapada do Araripe percorre caminho para ser reconhecida como título do Patrimônio Mundial

Ações são intensificadas para que o espaço seja mais um dos bens do país na lista da Unesco   

Depois do reconhecimento dos Teatros da Amazônia como Patrimônio Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) no início desta semana, a Bacia Cultural Sociobiodiversa da Chapada do Araripe também tem intensificado ações ao voltar a projetar a sua candidatura ao mesmo reconhecimento. Desde março de 2024, a Bacia Cultural Sociobiodiversa da Chapada do Araripe integra a Lista Indicativa do Brasil, etapa obrigatória para a apresentação da candidatura formal. A I

A proposta reúne áreas do Ceará, Pernambuco e Piauí e pretende reconhecer o Araripe como patrimônio misto, categoria destinada a lugares de relevância cultural e natural. A indicação, porém, não pertence exclusivamente ao Estado. O território já possui outro reconhecimento. O Geopark Araripe integra desde 2006 a rede global de geoparques e, em 2015, passou a fazer parte do programa de Geoparques Mundiais da Unesco. Esse reconhecimento é voltado ao patrimônio geológico, à educação e ao desenvolvimento sustentável. Já o título de Patrimônio Mundial exige a demonstração de Valor Universal Excepcional.

Caminho

A presença na Lista Indicativa não garante o título. Ainda são necessários concluir estudos, definir mecanismos de proteção, elaborar um plano de gestão e preparar o dossiê que será submetido à Unesco. O material passa por avaliações técnicas antes de chegar ao Comitê do Patrimônio Mundial. Se aprovada, a Bacia do Araripe poderá se juntar a Paraty e Ilha Grande, no Rio de Janeiro, hoje o único patrimônio brasileiro inscrito como bem misto. O título não representa repasse automático de recursos, mas amplia a projeção internacional e exige compromissos permanentes de proteção e gestão.

Atributos naturais e culturais

A força da proposta está na combinação de atributos naturais e culturais. A região possui um dos maiores depósitos de fósseis do Cretáceo Inferior do Brasil e do mundo, além de fontes naturais, áreas de floresta, espécies endêmicas, sítios arqueológicos, artesanato e tradições populares.

Sítios do Patrimônio Mundial

Nesta semana, com o reconhecimento dos Teatros da Amazônia, o país passou a contar com 26 sítios inscritos na Lista do Patrimônio Mundial da Unesco, dos quais 16 são culturais, nove são naturais e um é sítio misto. Confira a lista completa, por data de inscrição, de bens brasileiros reconhecidos como Patrimônio Mundial pela Unesco:

Bens culturais:

1980: Cidade Histórica de Ouro Preto

1982: Centro Histórico de Olinda

1983: Ruínas de São Miguel das Missões

1985: Centro Histórico de Salvador

1985: Santuário do Bom Jesus do Congonhas

1987: Brasília

1991: Parque Nacional Serra da Capivara

1997: Centro Histórico de São Luís

1999: Centro Histórico de Diamantina

2001: Centro Histórico da Cidade de Goiás

2010: Praça de São Francisco na Cidade de São Cristóvão

2012: Rio de Janeiro: Paisagens Cariocas entre a Montanha e o Mar

2016: Conjunto Moderno da Pampulha

2017: Sítio Arqueológico do Cais de Valongo2021: Sítio Roberto Burle Marx

2026: Teatros da Amazônia

Bens naturais:

1986: Parque Nacional do Iguaçu

1999: Reservas da Mata Atlântica do Sudeste

1999: Reservas da Mata Atlântica da Costa da Descoberta

2000: Área de Conservação do Pantanal

2000: Complexo de Conservação da Amazônia Central

2001: Ilhas Atlânticas Brasileiras: Reservas Fernando de Noronha e Atol das Rocas

2001: Unidades de Conservação do Cerrado: Parques Nacionais Chapada dos Veadeiros e Emas

2024: Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses

2025: Cânion do Rio Peruaçu

Bens mistos:

2025: Paraty e Ilha Grande – Cultura e Biodiversidade

Com informações do jornal O Otimista

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