Chapada do Araripe percorre caminho para ser reconhecida como título do Patrimônio Mundial
Ações são intensificadas para que o espaço seja mais um dos bens do país na lista da Unesco
Depois do reconhecimento dos Teatros da Amazônia como Patrimônio Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) no início desta semana, a Bacia Cultural Sociobiodiversa da Chapada do Araripe também tem intensificado ações ao voltar a projetar a sua candidatura ao mesmo reconhecimento. Desde março de 2024, a Bacia Cultural Sociobiodiversa da Chapada do Araripe integra a Lista Indicativa do Brasil, etapa obrigatória para a apresentação da candidatura formal. A I
A proposta reúne áreas do Ceará, Pernambuco e Piauí e pretende reconhecer o Araripe como patrimônio misto, categoria destinada a lugares de relevância cultural e natural. A indicação, porém, não pertence exclusivamente ao Estado. O território já possui outro reconhecimento. O Geopark Araripe integra desde 2006 a rede global de geoparques e, em 2015, passou a fazer parte do programa de Geoparques Mundiais da Unesco. Esse reconhecimento é voltado ao patrimônio geológico, à educação e ao desenvolvimento sustentável. Já o título de Patrimônio Mundial exige a demonstração de Valor Universal Excepcional.
Caminho
A presença na Lista Indicativa não garante o título. Ainda são necessários concluir estudos, definir mecanismos de proteção, elaborar um plano de gestão e preparar o dossiê que será submetido à Unesco. O material passa por avaliações técnicas antes de chegar ao Comitê do Patrimônio Mundial. Se aprovada, a Bacia do Araripe poderá se juntar a Paraty e Ilha Grande, no Rio de Janeiro, hoje o único patrimônio brasileiro inscrito como bem misto. O título não representa repasse automático de recursos, mas amplia a projeção internacional e exige compromissos permanentes de proteção e gestão.
Atributos naturais e culturais
A força da proposta está na combinação de atributos naturais e culturais. A região possui um dos maiores depósitos de fósseis do Cretáceo Inferior do Brasil e do mundo, além de fontes naturais, áreas de floresta, espécies endêmicas, sítios arqueológicos, artesanato e tradições populares.
Sítios do Patrimônio Mundial
Nesta semana, com o reconhecimento dos Teatros da Amazônia, o país passou a contar com 26 sítios inscritos na Lista do Patrimônio Mundial da Unesco, dos quais 16 são culturais, nove são naturais e um é sítio misto. Confira a lista completa, por data de inscrição, de bens brasileiros reconhecidos como Patrimônio Mundial pela Unesco:
Bens culturais:
1980: Cidade Histórica de Ouro Preto
1982: Centro Histórico de Olinda
1983: Ruínas de São Miguel das Missões
1985: Centro Histórico de Salvador
1985: Santuário do Bom Jesus do Congonhas
1987: Brasília
1991: Parque Nacional Serra da Capivara
1997: Centro Histórico de São Luís
1999: Centro Histórico de Diamantina
2001: Centro Histórico da Cidade de Goiás
2010: Praça de São Francisco na Cidade de São Cristóvão
2012: Rio de Janeiro: Paisagens Cariocas entre a Montanha e o Mar
2016: Conjunto Moderno da Pampulha
2017: Sítio Arqueológico do Cais de Valongo2021: Sítio Roberto Burle Marx
2026: Teatros da Amazônia
Bens naturais:
1986: Parque Nacional do Iguaçu
1999: Reservas da Mata Atlântica do Sudeste
1999: Reservas da Mata Atlântica da Costa da Descoberta
2000: Área de Conservação do Pantanal
2000: Complexo de Conservação da Amazônia Central
2001: Ilhas Atlânticas Brasileiras: Reservas Fernando de Noronha e Atol das Rocas
2001: Unidades de Conservação do Cerrado: Parques Nacionais Chapada dos Veadeiros e Emas
2024: Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses
2025: Cânion do Rio Peruaçu
Bens mistos:
2025: Paraty e Ilha Grande – Cultura e Biodiversidade
Com informações do jornal O Otimista