No Dia Nacional do Teatro, presidente da OCBPM destaca contribuição das Cidades Patrimônio Mundial no acesso à cultura e incentivo ao Turismo
Dados do IBGE mostram que o país conta com 3.422 teatros e salas de espetáculo; recentemente a Unesco reconheceu o Theatro da Paz, em Belém (PA), e o Teatro Amazonas, em Manaus (AM), como Patrimônio Mundial
Neste sábado, 19 de setembro, é celebrado o Dia Nacional do Teatro. O presidente da Organização das Cidades Brasileiras Patrimônio Mundial (OCBPM), Mário Nascimento, destaca a importância da data criada para comemorar a potência da linguagem artística cênica e o relevante papel dos Municípios detentores de sítios reconhecidos pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) como forma de desempenho central na democratização do acesso às artes ao estimular circuitos teatrais próprios. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são 3.422 teatros e salas de espetáculos espalhados pelo país, sendo recentemente reconhecidos como Patrimônio Mundial o Theatro da Paz, em Belém (PA), e o Teatro Amazonas, em Manaus (AM).
O reconhecimento desses espaços ocorreu por eles possuírem valor universal excepcional, funcionando como testemunhos únicos de um momento histórico que transformou a Amazônia e conectou a floresta tropical ao restante do mundo. Inaugurados no final do século XIX, quando a Amazônia vivia um intenso desenvolvimento econômico em função da extração do látex e comercialização da borracha, os dois teatros reúnem estruturas com materiais europeus e propósitos culturais similares, embora 18 anos separem a inauguração das duas casas.
Localizado em Belém, o Theatro da Paz foi inaugurado em 1878, a partir do projeto arquitetônico do engenheiro José Tibúrcio Pereira Magalhães. Sua principal inspiração foi o Teatro alla Scala, de Milão, na Itália. A construção se deu entre os anos de 1869 e 1874, mas, devido a denúncias envolvendo custos e governos, o espaço cultural só foi inaugurado ao final do inquérito que investigava as irregularidades.
Em termos arquitetônicos, foi concebido para misturar o estilo neoclássico com elementos amazônicos, em uma estrutura pensada para ser um teatro de ópera, com a presença de um fosso para a orquestra capaz de permitir uma perfeita equalização da música tocada ao vivo com a voz dos cantores da ópera. Passou por reformas para corrigir problemas estruturais para aproximar mais o projeto inicial ao estilo neoclássico e a inserção de uma caixa d´água de 40 mil litros abaixo do fosso, que servia tanto para abastecer o sistema de resfriamento do local como para melhorar a acústica da sala de espetáculos. É considerado o primeiro teatro de ópera da Amazônia e um dos primeiros teatros líricos do Brasil.
Teatro Amazonas
Inaugurado em 1896, no Centro Histórico de Manaus, o Teatro Amazonas partiu do projeto arquitetônico do deputado provincial Antônio José Fernandes Júnior, escolhido pelo Gabinete Português de Engenharia e Arquitetura de Lisboa, em 1883. O projeto também demorou a sair do papel devido aos altos custos da obra e a um impasse sobre o terreno escolhido para abrigar o espaço cultural. O trabalho de construção foi coordenado pelo arquiteto italiano Celestial Sacardim.
O teatro tem estilo arquitetônico renascentista e a maior parte do material usado em sua estrutura foi importado da Europa. A exemplo das 36 mil peças nas cores da bandeira brasileira, importadas da Alsácia, na França, para compor a cúpula central no topo do prédio. Internamente, o decorador pernambucano Crispim Amaral optou pelo uso de elementos neoclássicos associados a outros estilos, atribuindo uma arquitetura eclética ao local. O italiano Domenico de Angelis foi responsável pela decoração do Salão Nobre, inclusive pelo afresco denominado A Glorificação das Bellas Artes na Amazônia.
O Teatro Amazonas preserva até os dias de hoje grande parte dos elementos arquitetônicos e a decoração original. “Os teatros são de extrema relevância para disseminação da Cultura e desenvolver o Turismo. Ações voltadas à organização de festivais surgem como referências estratégicas que viabilizam o acesso do cidadão ao conhecimento e movimentam a economia do Município por meio de setores transversais, além de promover o intercâmbio entre os artistas e a comunidade”, destaca o presidente Mário Nascimento.
Origem do teatro
A trajetória do teatro popularizou-se nas antigas ágoras da Grécia, onde a arte se organizava em torno das discussões políticas da comunidade e se imortalizava nas tragédias de dramaturgos como Sófocles. Contudo, o teatro já existia pelo mundo em uma diversidade de formas e estéticas: desde as pantomimas tradicionais, que tinham como intuito ensinar algo sobre o mundo, até as manifestações populares de rua mais contemporâneas. É o caso do feirante que performa para atrair o público, dos artistas que ocupam os transportes públicos e de expressões corporais de profunda intensidade, como o Butoh, dança-teatro japonesa caracterizada por movimentos calculados e marcante expressividade facial.
Além disso, o teatro de sala consolidou propostas fundamentais para a participação social e a reflexão. Destacam-se o método desenvolvido por Augusto Boal, que convoca o espectador a assumir um papel ativo em cena, e a obra de Abdias Nascimento, cujas montagens provocam o público a questionar o cotidiano. Todas essas linguagens, com suas particularidades estéticas, encontram espaço para coexistir e dialogar no âmbito dos festivais cênicos.
Com informações da Agência Brasil e CNM