Pioneiro em local onde será implementado o Centro de Interpretação de Brasília, morador destaca importância do projeto da OCBPM na cidade
Interação para ouvir a população faz parte das etapas de implementação da iniciativa e esteve em pauta durante visita de inspeção nesta semana
O amplo estudo de impactos, ações de desenvolvimento sustentável e a realização de atividades de escuta são algumas das etapas seguidas de forma criteriosa pela Organização das Cidades Brasileiras Patrimônio Mundial (OCBPM) no trabalho de implementação dos Centros de Interpretação (CIs). A empresa contratada pela entidade esteve nesta semana em Brasília para uma análise técnica e conversar com a população sobre a relevância dos espaços inovadores de atendimento ao turista.
Na oportunidade, a equipe contratada pela OCBPM conversou com um dos moradores mais antigos do Plano Piloto, local em que o projeto está sendo desenvolvido. Lourivaldo Marques, natural de Irecê, na Bahia, foi para Brasília em 1960, ano de fundação da capital federal, e lá também montou a primeira banca de revista da cidade, que até hoje representa um marco de resistência cultural.
Além disso, o morador foi o responsável por plantar a icônica “Árvore dos Desejos” – uma espécie alta e robusta de fícus frondoso que sombreia e compartilha o espaço do entorno com o paisagismo de Burle Marx. Além de semeá-la, o morador ajudou a “modelar” uma passagem por dentro do espesso tronco, uma espécie de “Portal dos Desejos” que conduz até a sua banca de revista. O conjunto faz parte da paisagem urbana, um atrativo turístico da Asa Sul, no Plano Piloto.
A proposta do CI encabeçada pela OCBPM são espaços interativos de acolhimento criados para informar, educar e conectar os visitantes à importância histórica de locais reconhecidos como Patrimônio da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Em entrevista, o morador conversou sobre o projeto e destacou a importância da iniciativa da entidade para a melhoria no atendimento ao turista. “Eu acho necessário para a nossa memória e para as pessoas. Esse (projeto) é muito mais importante do que o posto que tinha antes (aqui)”, disse.
Confira a entrevista concedida pelo morador no Instagram da OCBPM.
Entregas
Até dezembro, a OCBPM conclui as entregas dos projetos técnicos desta primeira etapa, dentro de uma iniciativa que prevê 16 Centros de Interpretação em patrimônio cultural e misto brasileiro. São eles : Plano Piloto Brasília (DF), Centro Histórico de Goiás (GO), Centro Histórico de Diamantina (MG), Centro Histórico de Ouro Preto (MG), Centro Histórico de Olinda (PE), Centro Histórico de São Luís (MA), Cais do Valongo – Rio de Janeiro (RJ), Centro Histórico de Salvador (BA), Conjunto Moderno da Pampulha – Belo Horizonte (MG), Missões Jesuíticas Guaranis – no Brasil, ruínas de São Miguel das Missões (RS), Parque Nacional Serra da Capivara (PI), Praça São Francisco, em São Cristóvão (SE), Rio de Janeiro, paisagens cariocas entre a montanha e o mar (RJ), Santuário do Bom Jesus de Matozinhos – Congonhas (MG), Paraty e Ilha Grande (RJ).
“A OCBPM não busca uma solução que será replicada em todos os locais. Estamos desenvolvendo, conjuntamente com as comunidades e atores locais, espaços que atendam às especificidades de cada sítio”, explica o presidente Mário Nascimento ao lembrar a importância dessas ações para conscientizar sobre a preservação e valorização do título de Patrimônio Mundial.
A OCBPM é a realizadora dos projetos, sendo viabilizados pela Lei Rouanet, com patrocínio da Vale e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e impulsionados por um Acordo de Cooperação Técnica firmado com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A atuação da entidade se concentra na elaboração dos projetos técnicos, que irão servir de base para a futura construção dos centros.